“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.”

Fernando Pessoa

sexta-feira, 9 de março de 2012

A arte de meter o pau



     Hoje, enquanto estava no ônibus a caminho de casa, veio à cabeça o seguinte pensamento: meter o pau! E não é no sentido "gostoso" da expressão não, antes fosse. Pensei em como é frequente ver pessoas criticarem umas às outras. Metem o pau no governo (e com razão), na opção alheia de vida e até no próprio amigo. Sabe, tô de saco cheio de ver esse tipo de coisa, principalmente quando me envolve. Falo isso porque o que mais vejo é fulano meter pau na minha profissão: o jornalismo. "Ah, porque o jornalista é fofoqueiro", "o jornalista só gosta de ver desgraça", "isso não é profissão, nem tem diploma" e até mesmo "qualquer um é jornalista, basta escrever". Como também sou gente, resolvi meter pau, mas só naquelas pessoas que ACHAM que sabe tudo.

     Começo meu ato jornalístico falando que odeio pessoas mesquinhas, odeio pessoas frescurentas, odeio a falsidade, odeio a máscara social que todos usam (inclusive eu), odeio a irresponsabilidade, odeio o descaso, odeio o motorista que corre com o ônibus lotado, odeio o trânsito, odeio a fofoca, odeio a palavra "odeio", odeio a hipocrisia, odeio a arrogância, odeio a física, odeio água extremamente gelada, odeio quem sabe tudo mas não sabe nada, odeio quando o papel me corta, odeio quando me apertam (fica a dica), odeio a miopia, odeio a pressa do tempo, odeio a novela, odeio o previsível, odeio a ameaça, odeio a impunidade, odeio a Indústria Cultural e às vezes até eu me odeio.

     Pronto! Simples assim! Agora basta eu entregar esta minha lista, digna de um jornalista, à melhor redação de São Paulo e começar a trabalhar lá! Afinal, não precisa de diploma mesmo para me empregarem, não é?


Ps: Adorei criticar os outros. Muito simples, gostoso e aliviante. Penso seriamente em ter uma coluna e falar mal de tudo e de todos!

Ps²: Não confunda humor ácido com seriedade, ok?


God bless you! ;)

3 comentários:

  1. Gostei!
    É incrível como a maioria das pessoas fazem o caminho inverso em busca da plenitude da vida. Projetam seu eu no mundo em vez de tentar decifrá-lo dentro de si mesmo. É lamentável. É a base pra essa onda de futilidade que assola a sociedade. salpage.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Pra variar, Dnª Mariana botando a boca no mundo(ou pelo menos, tentando).Sempre foi sua cara, ver as coisas e não deixar por isso mesmo tendo ou não a razão, mas nunca deixar barato.Sem jamais esquecer da criatividade, é claro... Ops tava desviando o assunto, vamos deixar de lado um puco a "biografia" da autora em questão.
    Muito bom o texto, essa é a realidade da população cada vez mais revoltada, impaciente, imparcial e altamente crítica. Só cuidado com esse tanto de ódio ai rsrs. É uma forma de desabafo, mas a crítica inteligente supera qualquer berro de revolta.

    ResponderExcluir
  3. Olá Mariana
    Muito bom o seu texto, eu ri muito, não sei se era prá rir, mas vc tem toda razão, a gente reclama muito, e não olha para as coisas boas da vida. É muito mais fácil criticar a pessoa, eu já senti isso na pele, do que fazer algo bom para ela.
    Vc tá fazendo algo bom.
    Bjão.
    http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com

    ResponderExcluir