“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.”

Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Por onde andas, Príncipe Encantado?



         Começo o texto pretensiosamente com a seguinte afirmação: todo homem está destinado a uma princesa assim como toda mulher está destinada a um príncipe. Como vivemos em uma sociedade moderna, pode-se mudar o gênero, mas a essência continua a mesma. A pessoa pode não saber disso hoje, mas um dia, ou melhor, no dia, ela reconhecerá. Sabe como? Quando o coração disparar, não conseguir desviar o olhar e quiser ficar perto do ser iluminado. Um segredo: envelhecer ao lado do Príncipe é algo que me agrada e reconforta.

            Quando era criança, vivia me imaginando no lugar das princesas da Disney. Tá certo que na época, eu estava para Patinho Feio, mas me divertia no lugar da Ariel, Branca de Neve e Cinderela. Minha preferida? Jasmin, sem dúvidas, talvez por ser a única da pele morena e dos olhos escuros. Lembro que decorava as falas, contracenava em frente à televisão e na hora do beijo, fechava os olhos, pensava no menino que gostava e beijava a mão. Ó Príncipe Encantado, como és belo!

            Hoje em dia, percebo que algumas coisas não mudaram. Quando assisto a um filme, com cena romântica, imagino-me com “aquela pessoa”. Entro no filme, sem pedir licença ao diretor, trocos os protagonistas – saem os dois atores sem sal e sem açúcar para a minha entrada e do meu Príncipe – para repetir a cena. Modéstia à parte, mas nós mandamos bem. Fomos melhores que a dupla original. Uma confissão: como é gostoso saber que pode tudo enquanto viaja no pensamento!

            Às vezes, fico pensando, com muito medo, se eu já encontrei meu Príncipe e o deixei passar despercebido. Só sei que me arrepio ao ter que passar anos e anos atrás de alguém que sempre esteve perto de mim. Arrepio-me ainda mais se eu não encontrá-lo. Que tristeza. Como teria uma vã cheia de filhos sem meu Encantado? Se bem que, com a Internet, tudo ficou mais fácil. Só colocar a altura, cor dos olhos e pele desejada que aparecem centenas de perfis. Para quem gosta apenas de beleza e sexo, não terá dificuldades; agora, quem procura caráter ou o famoso “algo a mais”, terá que se esforçar mais um pouco.

            Tenho uma amiga que já achou seu Príncipe. Já meu outro amigo tem receio de se declarar para a Princesa e perder a amizade construída até o exato momento. Eu estou à procura, mas sempre atenta aos sinais do coração. Tenho certeza que o encontrarei mais cedo ou mais tarde. E você, já conheceu e reconheceu o seu?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma singela homenagem ao meu pai


        Em frente ao espelho, após tirar a maquiagem, torço o nariz e chego a uma conclusão: eu REALMENTE pareço muito com meu pai. As pessoas mais próximas falam direto que sou a xerox dele, mas sempre discordei. “Imagina. Uma mulher se parecer com homem? De jeito nenhum”. Porém, hoje me olhei criticamente e sim, os olhos e o nariz são cópias perfeitas do Sr. Torres. Domingos Torres Miranda. Nome forte, personalidade ainda mais. Baiano da cara brava e do coração nobre. Não é homem de falar, mas de fazer.

            Ao voltar para o passado, a primeira lembrança que me vem à cabeça é maravilhosa, faz parte da infância. Vejo Seu Torres arrumando minha lancheira da Mônica e colocando o sanduíche de alface, queijo e presunto, cortado na diagonal e embrulhado no alumínio, que só ele sabe fazer. Ah, que saudade daquela época! Época em que tudo era perfeito e só eu não sabia: não tinha preocupações, todo dia era festa, a Eletropaulo era estatal... Por falar nisso, lembro de uma noite (ou madrugada?) em que eu e minha mãe estávamos dentro do carro da Eletropaulo, local onde meu pai trabalhava, com todos os pernilongos da cidade de São Paulo. Um deles se aproximou de mim, porém o matei na mesma hora ao dar um tapa no vidro. Detalhe, ele estava com sangue.

            Já a segunda lembrança não é das melhores. Teve um dia que o vizinho estava sendo roubado no momento em que chegava da natação com meu pai e primos. Como era criança, não desconfiei da rua fechada com dois carros. Entrei em casa com os primos e a empregada. Ué, cadê meu pai? Tocou a campainha, minutos depois, e pediu para que eu pegasse a chave do carro rapidamente e a jogasse para ele, sem me aproximar do portão. Anos mais tarde, fui descobrir que nesse momento, ele estava com uma arma apontada para a cabeça e que tinha pedido ao ladrão para que ficasse no muro, impedindo assim que sua filha visse a cena. Como você é corajoso, pai!

            Agora, cá entre nós, você tinha mesmo que torcer para esse time? Um dos nossos passatempos preferidos é cutucar o outro para falar mal dos times do coração. Cansei de rir e ficar brava aos finais de semana. A rivalidade aqui em casa não para depois do apito final, mas confesso que a situação é engraçada. Mais importante que isso, quero deixar bem claro que apesar de não demonstrar, minha admiração, amor, carinho e respeito pelo senhor é eterno e imensurável. Agradeço de coração tudo o que fez por mim. Se hoje sou uma pessoa educada, gentil e honesta com o próximo, devo isso a você. Sem dúvidas, tenho o melhor pai do mundo...

            Te amo! 


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sorria: sua alma está sendo purificada

sor.rir (lat subriderevint vpr 1 Rir levemente, sem rumor, com ligeira contração dos músculos faciais. vtd vti 2 Dar, dirigir um sorriso. Vti 3 Ser favorável.

sor.ri.so (lat subrisusm 1 Ato de sorrir (-se). 2 Manifestação de um sentimento de benevolência, simpatia ou de ironia, que se faz sorrindo.




            Assim que termino de assistir ao comercial da Brastemp – O dia em que um sorriso parou São Paulo – sinto obter mais um insight para a coleção, que tem crescido constantemente ao longo dos momentos em que me pego conversando comigo mesma. Como o simples ato de sorrir consegue nos deixar mais leves em questão de segundos? A soma de 73 músculos resulta nesta linda e inspiradora expressão facial, capaz de conquistar a pessoa mais ranzinza na face da Terra.

            E como é grande o leque de variedades. Até ouso dizer que há um alfabeto dos sorrisos, que vai do A, de apaixonado, até o Z, de zombeteiro, passando pelo bonito, contagiante, dissimulado, espontâneo... Agora, na minha modéstia opinião, o sorriso que vem na hora errada consegue ser o pior. Seja na reunião de trabalho com o chefe ou no meio da explicação do professor, prender o sorriso acaba sendo mais perigoso que insultar alguém. Os olhos começam a lacrimejar e a barriga começa a se contorcer. Você envia uma mensagem rápida e desesperadora ao cérebro para não rir, mas parece que ele entende o contrário. Que brincadeira perigosa!

            Alguém pode me dizer se há algum remédio para aliviar nossa tensão melhor que o sorriso? Não consigo pensar em algo mais eficaz e simples. Aliás, eficaz, simples e gratuito! Experimente, durante um mês, reservar um tempo para sorrir. De preferência, assim que acordar, pois a energia alegre e contagiante te acompanha durante todo o dia. Lembre-se dos momentos engraçados que vivenciou ou daquela foto em que você está com uma careta medonha e enjoy it! Não custa nada. Depois me conte como foi, ok?