De repente, o ato de escrever torna-se fácil novamente. Assim como a eterna criança não esquece como pedalar, ao simples toque de um lápis, palavras vem em mente tal como a forte ventania das montanhas. Ideias, frases, cenas. Um caldeirão com todos os desconhecidos ingredientes para a formulação do prato ideal. Da onde vem tamanha inspiração? Filmes, livros, sonhos... amores? As lágrimas surgem sorrateiramente ao lembrar da cena de amor mais linda de todos os tempos. O nervosismo antecedendo o primeiro beijo, o ponto crucial para saber se será. E será? Um coração palpitante, uma mente agitada. Deixarei-me levar por este sentimento angustiante e aliviante?
“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.”
Fernando Pessoa

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