Nascimento e morte. Dois pólos distintos, mas ligados entre si através de uma linha frágil chamada vida. Duas situações esperadas que podem se tornar inesperadas em segundos. Dois acontecimentos felizes e tristes, variando conforme o momento em que surge. Afinal, existem outros dois princípios complementares mais corriqueiros e naturais? O yin está para o yang tal como a vida está para a morte. Desde pequenas, as pessoas aprendem que o ser nasce, cresce, (nem sempre) reproduz e morre. A trajetória no papel é simples, mas a realidade vai além das etapas citadas.
A união da alma com o corpo, o existir. Indago-me frequentemente quanto ao ponto de vista filosófico: como uma criatura consegue gerar outra? A magia que ocorre dentro da mulher transcende a genética, tenho certeza. Ser responsável por uma criação do mesmo sangue e preocupar-se com o outrem que acaba se tornando parte do criador são os verdadeiros primores. Se pudesse voltar ao tempo para reviver alguma experiência, escolheria meu nascimento. Ou melhor, reviver o último dia na barriga da minha mãe e o nascimento. Mesmo com a escuridão, diria que o útero é o lugar mais próximo da perfeição, se é que existe de fato. Aposto que é aconchegante, calmo e quente, além da sensação constante de amor e carinho. Imagino que sentir-se protegido 24 horas por dia não deve ter preço. Dizem que o bebê chora ao nascer por ter que encarar um mundo cheio de injustiça e tristeza, mas o tapinha do médico no bumbum não deve ser o gesto mais acolhedor para dar boas vindas.
Brincadeiras à parte, você sabe qual é o termo da existência? O cessar da vida, o fim, a morte. Muitos não gostam de falar nem pensar sobre o assunto, mas o chavão é inevitável. Confesso que sinto certo embaraço ao retratar a morte, pois a palavra traz consigo uma carga negativa. Além disso, difícil é conjecturar sobre o desconhecido, pois nunca o viu, apenas sabe que existe. Engraçado, se a morte existe é porque tem vida. Ou seja, ela possui vida, mas tira a vida dos outros. Logo, quem tirará a vida da morte? Complexo, não? Fico muito triste ao pensar nos amigos que perdi para a mesma. Em um dia, uma vida cheia de energia; e no outro, uma morte imprevista. Só espero que ela saiba o que está fazendo, pois ferir os sentimentos alheios não tem explicação nem sentido. Já tentei fantasiar a face da morte, mas a influência televisiva é forte demais e idealizou aquele estereótipo de caveira, coberta por uma capa preta com capuz e foice na mão. Eu REALMENTE espero que ela não seja assustadora e sim tranquilizadora, pois se for para partir dessa para uma melhor, o mínimo de conforto e paz é obrigatório.
No final das contas, vivemos em um mundo cheio de curiosidades e nem sempre possui uma resposta final, apenas hipóteses. Eu penso, tu pensas, ele pensa... E a certeza? Só tenho certeza de quem sou e olhe lá, porque o ser humano é uma metamorfose ambulante, vive em constante mudança. Ainda bem.







