“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.”

Fernando Pessoa

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Rascunho

     

  De repente, o ato de escrever torna-se fácil novamente. Assim como a eterna criança não esquece como pedalar, ao simples toque de um lápis, palavras vem em mente tal como a forte ventania das montanhas. Ideias, frases, cenas. Um caldeirão com todos os desconhecidos ingredientes para a formulação do prato ideal. Da onde vem tamanha inspiração? Filmes, livros, sonhos... amores? As lágrimas surgem sorrateiramente ao lembrar da cena de amor mais linda de todos os tempos. O nervosismo antecedendo o primeiro beijo, o ponto crucial para saber se será. E será? Um coração palpitante, uma mente agitada. Deixarei-me levar por este sentimento angustiante e aliviante?

sexta-feira, 9 de março de 2012

A arte de meter o pau



     Hoje, enquanto estava no ônibus a caminho de casa, veio à cabeça o seguinte pensamento: meter o pau! E não é no sentido "gostoso" da expressão não, antes fosse. Pensei em como é frequente ver pessoas criticarem umas às outras. Metem o pau no governo (e com razão), na opção alheia de vida e até no próprio amigo. Sabe, tô de saco cheio de ver esse tipo de coisa, principalmente quando me envolve. Falo isso porque o que mais vejo é fulano meter pau na minha profissão: o jornalismo. "Ah, porque o jornalista é fofoqueiro", "o jornalista só gosta de ver desgraça", "isso não é profissão, nem tem diploma" e até mesmo "qualquer um é jornalista, basta escrever". Como também sou gente, resolvi meter pau, mas só naquelas pessoas que ACHAM que sabe tudo.

     Começo meu ato jornalístico falando que odeio pessoas mesquinhas, odeio pessoas frescurentas, odeio a falsidade, odeio a máscara social que todos usam (inclusive eu), odeio a irresponsabilidade, odeio o descaso, odeio o motorista que corre com o ônibus lotado, odeio o trânsito, odeio a fofoca, odeio a palavra "odeio", odeio a hipocrisia, odeio a arrogância, odeio a física, odeio água extremamente gelada, odeio quem sabe tudo mas não sabe nada, odeio quando o papel me corta, odeio quando me apertam (fica a dica), odeio a miopia, odeio a pressa do tempo, odeio a novela, odeio o previsível, odeio a ameaça, odeio a impunidade, odeio a Indústria Cultural e às vezes até eu me odeio.

     Pronto! Simples assim! Agora basta eu entregar esta minha lista, digna de um jornalista, à melhor redação de São Paulo e começar a trabalhar lá! Afinal, não precisa de diploma mesmo para me empregarem, não é?


Ps: Adorei criticar os outros. Muito simples, gostoso e aliviante. Penso seriamente em ter uma coluna e falar mal de tudo e de todos!

Ps²: Não confunda humor ácido com seriedade, ok?


God bless you! ;)