“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.”

Fernando Pessoa

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Você tem ideia da falta que me fez?

Dedico o post abaixo a todos aqueles que me ajudaram a superar esses dias tristes de 2012 que, ainda bem, já acabaram. Principalmente meu pai, minha mãe e meu cunhado, que me ajudaram de todos os jeitos possíveis. Obrigada! Sou muito grata a vocês!


     Semana passada passei por uma experiência que não desejo a ninguém: seja amigo ou inimigo...

    Assim que saí do trabalho, na terça-feira passada, dia 03 de janeiro, liguei para minha mãe como de costume. Quando ela atendeu a chamada, percebi pela voz que algo tinha acontecido. Perguntei o que houve, mas ela não quis me responder. Com esse ato, não me preocupei em chegar rápido em casa. Passei no shopping, tomei um sorvete e fui para a fila à espera do ônibus.

     Quando cheguei em casa, minha mãe me abraçou e começou a chorar. Ao vê-la naquele estado, sem nem saber o motivo, meu coração se partiu. "Calma mãe, respira fundo", disse à pequena, mas não adiantou muito.

       - Mari... Fica calma, tá?
    - Eu? Mãe, pelo amor de Deus, o que aconteceu? - cada instante em silêncio me sufocava.
       - Filha... A Pitucha fugiu.

     Naquele momento, minha cabeça parou de funcionar por uns segundos. "O quê? Minha Pitucha fugiu? Como?". Não senti o chão sob meus pés. Chorei, esperneei, gritei, desabei. 2012 mal começara e já terminara com aquela notícia. Automaticamente perdi a fome, perdi o ânimo, perdi a vontade de viver. Que sensação ruim! Não desejo a ninguém!

     Após algumas horas, encontrei forças para levantar do sofá e começar a fazer algo. Abri o Word e fiz um anúncio simples de "procura-se". Quando coloquei a primeira foto, minha mão tremeu. Fazia tanto tempo que não chorava que o estoque de lágrimas durou 3 dias. Chorava de dia, chorava de noite. Chorava quando via um cão na rua. E com o choro, veio a dor de cabeça, o mal-estar e os olhos inchados. Além dos cartazes, entramos em contato com um daqueles caras que divulgam shows e outros eventos com carro de som. Ele divulgou o recado sobre a Pitucha no bairro todo, durante 3 dias seguidos. Ou seja, fizemos tudo que estava ao nosso alcance, sem dúvidas.

     Toda vez que lembrava daquele olhar de jabuticaba envelhecido com o tempo, tornava a entristecer. Só em pensar que minha neguinha estava na rua, com chuva ou sol, passando fome e sede, meu coração doía. Sentia aquele aperto, sabe? Perder alguém - seja bicho de estimação ou pessoa - é pior do que se tivesse morrido. Não saber o que acontece com quem você ama, é torturante. Quando pensava na hipótese da Pitucha estar morta e não poder enterrá-la ou dar um último adeus, era o fim para mim.

      Não posso deixar de citar as pistas falsas. Claro, sempre tem. Ligavam em casa dizendo que a poodle estava na rua "x". Depois ligavam dizendo que estava na rua "y". Quando não, na rua "z". Cada ligação era uma esperança que surgia em nossos olhos, em nossos corações. E cada final de ligação era um choro e um desânimo também. Sentia-me em uma montanha russa cheia de altos e baixos, com direito a frio na barriga.

    Como o tempo não para; a terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo foram embora. Lentamente. Sempre digo que os dias passam muito rápido, porém semana passada demorou mais que o costume...

     Segunda-feira, dia 09. Acordei para ir trabalhar. Desanimada como nos últimos dias. Pelo menos, consegui segurar o choro no trabalho... até receber uma ligação às 11h57. Uma voz gentil e educada se identificou como Caique e disse que estava com a poodle do anúncio. O frio na barriga e a tremedeira voltaram. Comecei a chorar quando ele confirmou que a cachorra estava com a roupinha de oncinha. Ele achou a Pitucha perto do córrego, aqui mesmo no bairro. Passei o telefone de casa para ele falar com minha mãe. Não sabia se ria ou se chorava mais após a ligação. O fato é que a mudança no humor foi notória.

        Quando cheguei em casa, mais ou menos às 20h00, desci as escadas lentamente e fui de encontro à Pitucha. Assim que vi aqueles velhos olhos conhecidos, sentei no chão e abracei-a desesperadamente. "Você tem ideia da falta que me fez?", perguntei à poodle. Fiquei esperando a resposta e tudo que recebi foi uma lambida no rosto.

     Como tudo o que acontece na nossa vida tem um porquê, tirei uma lição desse acontecimento: nunca deixe para amanhã o que se pode fazer hoje. Quer falar para o mundo que ama alguém? Então fale! Quer abraçar alguém? Então abrace! Quer ter um cão de estimação? Então tenha! Mas, acima de tudo, cuide e trate-o como um membro da família. Quando menos esperar, ele realmente se tornará!

Eu e a Pitucha há muitos anos atrás...

3 comentários:

  1. Que linda....amigos de verdade, eles fazem falta.

    Adorei a foto no final do post !

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  2. Meu Mari me emocionei com sua palavras, o meu nenem se foi no final do ano passado, e eu sei o que é chegar em casa e não ter aquela comemoração e falta que faz aquele tico de pelo, um verdadeiro membro da familia! Fico feliz que a encontrou

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  3. Que bom que o alívio veio após o sufoco, já ´passei por isso e sei bem como é, infelizmente no caso que vivi o final não foi feliz... Só quem tem ou já teve um amizade verdadeira por um peludinho pode compreender o que você passou... Abração!!!

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